O recente veto do governador em exercício de Mato Grosso, José Zuquim Nogueira, ao Projeto de Lei nº 1033/2025, que visava a inclusão de pessoas com deficiência no programa CNH Social, acendeu um debate importante sobre a inclusão e os direitos das pessoas com deficiência no Brasil. Este veto foi publicado no dia 18 de junho de 2023 e gerou diversas reações tanto positivas quanto negativas na sociedade. A decisão, fundamentada em pareceres jurídicos e preocupações orçamentárias, levanta questões sobre o papel do Estado na promoção de políticas inclusivas e o impacto que tais medidas poderiam ter em um ano eleitoral.
Contextualizando a CNH Social
A CNH Social é um programa criado em 2023 com o objetivo de facilitar o acesso à Carteira Nacional de Habilitação para cidadãos de baixa renda. Este programa garante a isenção de taxas e a cobertura de custos como exames médicos e psicotécnicos, aulas teóricas e práticas, e as provas requeridas para a habilitação. A importância dessa iniciativa se destaca, principalmente, na promoção da inclusão social e na oferta de melhores oportunidades de trabalho para quem, muitas vezes, tem dificuldades em acessar empregos formais.
A proposta que foi vetada tinha como objetivo expandir esse programa para abranger também as pessoas com deficiência, um grupo que frequentemente enfrenta barreiras de mobilidade e acessibilidade. O deputado Max Russi, presidente da Assembleia Legislativa e autor da proposta, argumentava que a inclusão geraria benefícios substanciais para a autonomia e a inclusão social desse grupo, que, em geral, apresenta taxas de desemprego mais altas do que a média.
Razões do veto
O veto do governador foi justificado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que apontou vícios de constitucionalidade no texto. De acordo com o parecer jurídico, a proposta invadia competências do Poder Executivo, interferindo no que seria atribuição da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc). Isso gera um debate relevante sobre como as leis são formuladas e a importância de respeitar as atribuições de cada esfera de governo.
Além da questão da constitucionalidade, a PGE também destacou preocupações orçamentárias. A ampliação do programa, segundo os especialistas, poderia gerar despesas adicionais sem a devida análise de impacto financeiro. Esse aspecto é vital, pois o descontrole fiscal pode levar a cortes em outras áreas essenciais para a população mais vulnerável, como saúde e educação. Em uma análise mais ampla, a responsabilidade fiscal se torna essencial em uma democracia, e é necessário que os governantes estejam atentos a esses detalhes.
A legislação eleitoral também afetou a decisão do governador. A Lei nº 9.504/1997 proíbe a criação ou ampliação de benefícios em ano de eleição, o que reforçou a posição do governo em vetar a proposta. Este fato remete ao dilema de se a inclusão social deve ser tratada como uma prioridade independente do ano eleitoral ou se o contexto político deve ser levado em conta.
Repercussão da decisão
O veto gerou diferentes reações entre os grupos sociais. Para muitos defensores dos direitos das pessoas com deficiência, a decisão foi considerada um retrocesso nas políticas públicas de inclusão. Esses grupos argumentam que a elaboração de políticas para fomentar a autonomia e a inclusão deve ser uma prioridade constante, e não apenas uma iniciativa pontual. O fato de o programa CNH Social já existir e ter um foco em baixa renda traz à tona o questionamento sobre porque não expandi-lo para incluir pessoas com deficiência, que enfrentam desafios adicionais.
Por outro lado, há quem defenda a decisão de Zuquim, argumentando que é fundamental que as políticas públicas sejam estruturadas dentro das realidades fiscais do Estado. A preocupação com a responsabilidade orçamentária é vista como um aspecto crucial para evitar crises fiscais que possam impactar toda a população.
A discussão em torno do veto também fez ressurgir a importância do papel da Assembleia Legislativa na análise e correção de propostas que possam não atender aos requisitos legais. Este é um aspecto fundamental da democracia, onde o debate deve estar presente em todas as etapas do processo legislativo. Com o veto, a Assembleia agora tem a oportunidade de discutir a questão mais a fundo e, se necessário, propor melhoramentos à legislação.
Como o veto impacta as pessoas com deficiência
A decisão de vetar o projeto, embora fundamentada em argumentos legais e orçamentários, levanta questões críticas sobre os direitos humanos e a inclusão. A ampliação da CNH Social para pessoas com deficiência poderia proporcionar autonomia a muitos que precisam de uma carteira de habilitação para trabalhar ou estudar, aumentando suas oportunidades no mercado de trabalho.
A inclusão é uma questão de dignidade e respeito, e o acesso a uma CNH é um passo importante nessa direção. Muitas pessoas com deficiência enfrentam barreiras significativas para a inclusão em diversas esferas da vida, e a ampliação da CNH Social poderia ser uma estratégia para combater essas desigualdades. Se considerarmos o impacto social e econômico que uma maior participação dessas pessoas no mercado de trabalho poderia ter, a decisão de vetar o projeto fica ainda mais questionável.
O papel da sociedade civil e das organizações
As organizações da sociedade civil, que atuam em defesa dos direitos das pessoas com deficiência, desempenham um papel crucial neste contexto. Elas são fundamentais para conscientizar a população e os legisladores sobre a importância da inclusão e a necessidade de políticas públicas que atendam a esses indivíduos.
A mobilização social em torno da questão da inclusão e da acessibilidade é necessária. As vozes que clamam por mudança e advocacy têm um potencial transformador e podem pressionar os legisladores a reconsiderarem suas decisões. A criação de petições, campanhas de conscientização e pressão direta sobre os deputados estaduais são algumas das maneiras pelas quais a sociedade civil pode atuar.
Desafios futuros
O veto ao projeto de ampliação da CNH Social para pessoas com deficiência não é o fim do debate, mas sim uma nova etapa. O engajamento da sociedade, a mobilização de recursos e a pressão sobre os representantes públicos são essenciais. A luta por direitos e inclusão deve ser contínua, e as pessoas com deficiência precisam de aliados para garantir que suas necessidades sejam atendidas.
Além disso, será importante que os legisladores revisitem a proposta para torná-la mais viável. Pode ser necessário incluir estudos de impacto orçamentário e uma análise mais detalhada sobre a viabilidade da ampliação. A diversidade de vozes e experiências será fundamental para que o debate avance e que novas soluções sejam encontradas.
Perguntas frequentes
Quais são os principais objetivos da CNH Social?
A CNH Social visa proporcionar acesso à Carteira Nacional de Habilitação para cidadãos de baixa renda, eliminando custos como taxas, exames e aulas práticas, e promovendo inclusão social.
Por que o projeto de lei foi vetado?
O veto foi justificado pela Procuradoria-Geral do Estado, que apontou vícios de constitucionalidade, preocupações orçamentárias e a violação da legislação eleitoral.
O que isso significa para as pessoas com deficiência?
O veto limita a inclusão das pessoas com deficiência no programa que poderia garantir a elas melhor autonomia e oportunidades no mercado de trabalho.
Quais são as possíveis ações que a Assembleia Legislativa pode tomar agora?
A Assembleia pode decidir manter ou derrubar o veto em votação, ou ainda propor modificações ao projeto original para torná-lo viável.
Como a sociedade civil pode se mobilizar frente a essa situação?
Através de campanhas de conscientização, petições e contato direto com os parlamentares, a sociedade civil pode pressionar por mudanças e defender os direitos das pessoas com deficiência.
Existem outras políticas públicas voltadas à inclusão das pessoas com deficiência?
Sim, existem diversas iniciativas e leis em andamento, mas a efetividade e a execução dessas políticas ainda enfrentam muitos desafios.
Considerações finais
A decisão de Zuquim de vetar o projeto que ampliava a CNH Social para pessoas com deficiência em Mato Grosso é um lembrete poderoso dos desafios que ainda enfrentamos enquanto sociedade. Em um mundo que busca cada vez mais a inclusão e a equidade, é fundamental que continuemos a questionar e a buscar melhorias nas políticas públicas.
Embora o veto tenha certo embasamento legal e fiscal, é vital que os direitos humanos e a dignidade das pessoas com deficiência sejam sempre priorizados nas discussões legais. A luta por inclusão é um processo contínuo, uma jornada onde todos nós, enquanto sociedade, temos um papel ativo. O ativo engajamento e a pressão pela inclusão podem, com o tempo, levar a políticas que realmente atendam às necessidades das pessoas com deficiência e garantam o direito de uma vida digna e autônoma.

Editora do blog ‘Meu SUS Digital’ é apaixonada por saúde pública e tecnologia, dedicada a fornecer conteúdo relevante e informativo sobre como a digitalização está transformando o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.
